Os desafios dos jovens heróis

Thiago Henrique Cardoso

Já faz um tempo que acompanhamos a longa saga de Harry Potter nos cinemas, série essa que começou lá em 2001 com seu primeiro título, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, e que se encerrou dez anos depois com “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, tornando-se o maior sucesso dentre os oito filmes e injetando mais uma quantia de US$ 1 bilhão aos cofres da Warner Bros. Pictures.  

Claro que esse sucesso, em grande parte devido à acessível narrativa da autora J.K. Rowling e ao seu incrível mundo mágico, chamaria a atenção de outros estúdios em querer lançar novas franquias infanto-juvenis nas telonas. Desde então, começou a caça por histórias promissoras e com chance de sucesso popular e nas bilheterias.

Fãs de séries literárias se desapontaram ao ver suas histórias e personagens prediletos serem mal “tratados” em filmes que nem sequer vingaram em continuações ou no gosto da crítica, apresentando ocasionalmente roteiros e direções rasos que mal contemplavam a essência de cada título.

O público (jovem, em maioria) é antenado e procura ler as obras antes do lançamento nos cinemas e buscam se identificar com seus heróis e motivações também nas telonas, sem esquecer-se de um número considerável de cenas de ação para empolgá-los.

Foi com o êxito de “Jogos Vorazes”, lançado em 2012, que uma nova leva de filmes com heróis adolescentes em futuros pós-apocalípticos passou a pipocar. Convocam-se atores renomados para reforçar elencos com figuras novas na indústria e os efeitos visuais passam a melhorar, além do cuidado cada vez maior com a direção e roteiro.

O próprio “Em Chamas”, continuação do livro de Suzanne Collins, teve uma produção muito mais elaborada do que seu antecessor e o capítulo final da série, “A Esperança”, seguiu a tendência de dividir a história em duas partes, com a primeira a ser lançada no dia 19 de novembro de 2014.

Depois de fracassar praticamente com quase todas as suas adaptações literárias (“Eragon” e os empreendimentos com heróis da Marvel Comics), a atual aposta da Fox fica com Maze Runner (foto): “Correr ou Morrer”, que estreou no dia 17 de setembro, baseado no livro lançado em 2009 e escrito por James Dashner.

Munido de um elenco teen relativamente conhecido, o filme traz aquele estilo de narrativa pós-apocalíptica em que o protagonista (e espectador) só vão conhecer sua motivação apenas no final, o que garante um certo suspense. Nosso herói, no caso, é Thomas (Dylan O’Brien), um jovem confinado num labirinto de alta tecnologia e que precisa passar por vários desafios, desde os conflitos com outros Clareanos aos agonizantes duelos com seres biomecânicos chamados de Verdugos.

Se “Maze Runner” terá vida longa, é difícil prever, mas parece que tanto para Thomas, Katniss, Tris (de “Divergente”), dentre tantos outros jovens heróis, a maior tarefa não é a de sobreviver ou derrotar vilões, mas divertir um público muito exigente e ainda garantir muita grana aos grandes estúdios que vivem dizendo que estão em crise.

Publicado na edição 178 - outubro/2014