Renault Oroch Dynamique 1.6 SCe

Carlos Fernando Schrappe Borges
 
Suas linhas não mudaram. Continua sendo uma pick-up média robusta e para quem precisa carregar até 650 kg em sua caçamba, ela cumpre bem o seu papel. A principal mudança na linha 2017 da Oroch foi mecânica.
 
Ganhou notáveis modificações sendo a principal delas o novo motor 1.6 16v SCe (Smart Control Efficiency) que produz 118/120 cv com torque de 16,2 kgfm a 4000rpm. Some isto a tecnologia ESM (Energy Smart Management), de regeneração de energia nas frenagens que otimiza a carga da bateria e ainda a comodidade da direção eletro-hidráulica, tudo visando a economia de combustível e desempenho.
 
Para tirar a prova, testamos a versão Dynamique, na cor verde esmeralda e com bancos de couro, que está sendo vendida por R$77.790. Já a versão básica Expression parte de R$ 69.990, e a automática 2.0 chega aos R$ 83.690.
Este motor trabalha com giros mais altos privilegiando o torque e isto fez com que a diferença entre o consumo da cidade e na estrada não fosse muito diferente, ficou em torno de 8,5 a 11 km/l com gasolina, respectivamente.
 
Em nosso teste rodamos 491 km em um trecho misto, cidade e estrada onde a Oroch fez 10,2 km/l.
 
Na cidade continua ágil e silenciosa. Quase não se escuta o motor. Sua suspenção Multilink aliada com os pneus de uso misto Michelin LTX Force 215/65 R16 absorve as irregularidades das ruas com excelência e maestria.
 
Faltam, no entanto, a assistência de partida em rampa e o controle de estabilidade e tração, tecnologias já disponíveis em outros modelos da marca e também na concorrência. Se no dia a dia faz falta, com a caçamba carregada e com chuva é imprescindível.
 
Na estrada é inegável a comodidade do piloto automático, em quinta a 110 km/h o giro fica a pouco mais de 3.200 rpm. Quanto ao isolamento acústico, é apenas razoável, pois apesar da aparente boa vedação, o vento é mais audível que o rodar dos pneus e o ruído do motor.
 
O painel é ergonômico e os instrumentos tem ótima visibilidade. Seu sistema multimídia é um dos mais rápidos e amigáveis do mercado. Embora venha com sensores de estacionamento a câmera de ré continua sendo vendida como opcional (R$ 480). Deveria ser item de série, afinal trata-se de uma pick-up que como todas, tem visibilidade restrita para manobras. O veículo foi cedido pela Renault do Brasil e retirado na concessionária Fórmula. 
 
 
Publicado na edição 210 - junho/2017

JAC T5 CVT

Carlos Fernando Schrappe Borges, colunista do AJ
 
Quando testei o Jac T5 manual, em maio passado para a edição 196, fiquei bem impressionado com o carro. Design atual, espaçoso, seis anos de garantia, bem equipado e confortável. Ficava, contudo, faltando a transmissão automática, item imprescindível nesta categoria. Surgiu, então, o T5 CVT, cujo teste você acompanha agora.
 
Custando nesta versão completa Pack 3, R$ 76.990, ele preenche a lacuna que restava e tem a missão de conquistar clientes que desejam um SUV honesto abaixo dos R$ 80 mil.
 
Externamente, a única diferença em relação ao modelo manual é a inscrição CVT abaixo do T5 no porta malas. Por dentro ganhou um bonito conjunto no console central, onde a manopla do câmbio corre gentilmente por uma grade dentada trazendo opção de modo Sport e trocas manuais simulando até seis marchas, além do botão para saídas em terrenos escorregadios.
 
O volante ganhou os controles de piloto automático, que ainda pecam por não serem retro iluminados à noite, nem eles e nem os controles do rádio e do bluetooth. O conjunto central em LCD do velocímetro agora informa a posição do câmbio e as trocas sequenciais de 1 a 6. 
 
Poderiam ter incluído neste painel um relógio e o indicador de temperatura externa, pois só aparecem no rádio ou no ar condicionado quando os mesmos estão ligados. No mais, a forração do teto continua a destoar por ser muito simples, semelhante ao TNT, detalhe que as mulheres não perdoam.
 
NA CIDADE
 
O CVT é uma transmissão continuamente variável, ou seja, não há trocas de marchas.
Nas primeiras arrancadas você sente um leve tranco que, com a adaptação de uso, vai diminuindo. O restante do rodar é macio e traz conforto no trânsito. Aliado ao motor 1.5 16v VVT, com 125/127 CV o conjunto remete a um veículo familiar sem pretensões esportivas.
 
NA ESTRADA
 
Com boa vedação, os ruídos aerodinâmicos são minimizados, mas falta um melhor isolamento acústico nas caixas de rodas e entre o motor e a cabine, pois tanto o barulho de rodagem quanto o do motor, este acima de três mil giros, invadem o habitáculo. No modo Drive a 110 km/h, com o piloto automático ligado, é interessante
sentir o CVT trabalhando e ver o conta giros se movimentar a cada aclive, mantendo a velocidade constante.
 
Na subida de serra mostrou-se ágil: o motor eleva o giro rapidamente quando solicitado e os controles de estabilidade e tração transmitem uma agradável sensação de segurança.
 
No trecho misto, cidade/estrada, foram percorridos 430 km e, desta vez abastecido com gasolina, a média foi de 10 km/l. Neste quesito eu esperava mais, visto que no último teste fizemos 9,5 km/l utilizando etanol. O veículo foi cedido pela JAC Motors.
 
 
Publicado na edição 209 - maio/2017

Citroën Aircross 1.5 Live

Carlos Fernando Schrappe Borges

A Citroën foi muito feliz na reestilização do Aircross que, dependendo da versão, torna-se na minivan com o melhor design e custo benefício do mercado. Vejamos porquê.

A versão testada pelo Aeroporto Jornal é a Aircross 1.5 Live com dois opcionais:  pintura metálica rouge rubi e central multimídia, que tem o preço sugerido de R$ 62.260,00, podendo chegar a R$ 76.960,00 na versão topo de linha Shine 1.6 automática.

Aconteceram mudanças externas, internas e mecânicas, saindo da extravagância do modelo anterior para o quase discreto.

Motorização - Seu motor flex 1.5 de 93cv aliado ao câmbio de 5 marchas de relações curtas, combinada a direção elétrica, proporciona uma excelente dirigibilidade e economia de combustível. Abastecido com etanol fizemos 8,4 km/l em um percurso misto cidade/estrada de 420 km. A 110 km/h em quinta marcha trabalha em 3.500 rpm, utilizando já nesta faixa de rotação todo o torque de 14,2 Kgfm.

Sua ampla área envidraçada elimina quase todos os pontos cegos e junto com a posição de dirigir elevada tem uma visibilidade invejável. Ainda possui o tanquinho de partida a frio no cofre do motor que, apesar de funcionar perfeitamente mesmo a zero grau, a versão 1.6 já conta com o sistema de aquecimento direto de combustível. Pisada de bola a Citroën não ter atualizado também a versão 1.5.

Exterior - A frente traz novos faróis, grade e luzes diurnas de led, as rodas têm novo desenho e vem na cor grafite. Nesta versão urbana note que o carro está sem 0 estepe pendurado na tampa traseira, o que facilita, e muito, o uso do porta-malas no dia a dia. Ele também não vem com pneus de uso misto, mas por sua vez traz os excelentes Michelin Energy Fuel Saver 195-55-R16. O estepe está acomodado no piso do porta malas de 403 litros e tem a medida 195-60-R15 o que limita velocidade quando usado, a 80km/h.

Interior - Espaçoso e confortável. O volante tem ajuste de altura e profundidade, os mostradores em três arcos são retro iluminados com a cor branca e têm fácil leitura, mas o da direita, durante o dia, sofre reflexos. Os bancos acomodam o corpo muito bem possuindo todos os ajustes, com espumas de ótima densidade e tecido agradável ao toque. O piso tem forração de boa espessura e acabamento. O plástico, porém, predomina no resto do carro. Todo o painel e portas são desse material o que acaba tornando o interior espartano e prejudicando o isolamento acústico. O barulho da ventilação forçada é bem audível desde a posição 1 das cinco disponíveis.

Faltam porta objetos e os que existem não são muito aproveitáveis. Faltam, ainda, nessa versão: uma saída de 12v para o banco traseiro, alarme e apoio de cabeça para o quinto passageiro. Até quando o consumidor vai tolerar estes deslizes básicos? O que contrabalança para o lado positivo, fora o preço, é a central multimídia com tela de 7 polegadas (opcional de R$ 1.400,00). Seu design se integra perfeitamente ao painel, incorpora comandos satélite para ajustes do rádio e todas as suas demais funções são úteis, complementando inclusive o computador de bordo, mas o GPS é ainda outro opcional.

A unidade testada foi cedida pela concessionária Citroën Boulevard, Av. Marechal Floriano Peixoto, 4.043, (41)3111-2121 -  www. citroenbr.com.br

Publicado na edição 199 - julho/2016

Renault Duster Dynamique 1.6 16V 2017

Carlos Fernando Schrappe Borges

Em nossa edição de abril testamos a Pick-up Oroch Dynamique 1.6 e agora o Aeroporto Jornal recebeu uma unidade da SUV Duster Dynamique 1.6 2017 na cor marrom safári. Seu preço de tabela nesta configuração é de R$ 76.560,00.

Não houve nenhuma modificação na parte mecânica desta versão com motor 1.6 16v, ao contrário do que a Renault fez nos 2.0. Nem ao menos colocaram a direção eletro/hidráulica e também não eliminaram o tanquinho para partida a frio. Mesmo assim conseguimos notar detalhes interessantes no conjunto geral.

A Duster possui um interior espaçoso, sem luxo, mas bem-acabado. É um carro robusto, durável e com uma excelente posição de dirigir.

O interior com os bancos revestidos em couro de dois tons (opcional), cinza e marrom, ficou bem agradável. Peca, contudo, em não ter cinto de três pontos para o ocupante do meio no banco traseiro, mas tem apoio de cabeça para todos.

Uma somatória de pequenos detalhes fáceis de resolver para o fabricante permitiria que o Duster conquistasse uma melhor posição no mercado. Faltam, por exemplo, um descansa braço no banco do motorista, um espelho retrovisor eletrocrômico, luzes de cortesia nos espelhos do para-sol, reostato no painel e medidor de temperatura do motor. Sem contar que poderia ter freios a disco nas quatro rodas, que até o antigo Scénic tinha, mas daí já é pedir demais, ou não? Controle de tração e de estabilidade também não aparecem no horizonte. Uma crítica desde o seu lançamento foi sanada, o controle dos espelhos retrovisores agora está na porta, em cima dos comandos dos vidros, que também passaram a ser todos de um toque. O eficiente sistema MEDIA Nav Evolution ganhou câmera de ré.  Completo e fácil de operar, ainda conta com comandos satélite na coluna de direção, atrás do volante, típico dos Renault.

Equipado com pneus Bridgestone Duhler HT 684 II, 215/65/r16, ele absorve bem as irregularidades do piso, mas na estrada gera um ruído de rolagem acima da média. Somado a isso, o ruído aerodinâmico em velocidade de cruzeiro (110km/h) chegou a incomodar, ao contrário da Oroch, que até elogiamos neste quesito. O Ar condicionado também faz barulho toda vez que o compressor é acionado.

Rodamos ao todo 413,5 km num percurso cidade/estrada e fizemos ótimos 12,1 Km/l com gasolina. Seu motor 1.6 16 v de 110cv na gasolina / 115 no álcool, com câmbio manual de 5 marchas se mostrou adequado para o porte do carro. Mas, se puder investir mais, compre a versão 2.0 que teve melhoramentos mecânicos consideráveis.

www.renault.com.br

Publicado na edição 203 - novembro/2016

JAC T5

Carlos F.S. Borges

Ainda não é fácil achar muitos entusiastas de veículos chineses no Brasil devido a uma reputação negativa trazida pelos inúmeros problemas das primeiras unidades comercializadas por aqui. Felizmente isto está mudando rápido. Uma prova é o recém lançamento da JAC Motors, o T5, testado pelo Aeroporto Jornal que em sua versão mais completa custa R$ 71.990,00. Ele parte de R$ 59.990,00 na versão de entrada.

Exterior e mecânica - É um SUV compacto com design marcante, carroceria bem construída sem desvios de alinhamento e uma mecânica muito bem cuidada. Com o motor Jetflex 1.516v VVT de 125/127 cv, desenvolvido pela austríaca AVL, que aliado a seis anos de garantia, pode ser o carro chefe para trazer boas vendas, firmar a marca e até incomodar a concorrência, cabendo ao pós-vendas trazer a segurança que o cliente almeja.

Ele traz de série muitos equipamentos de conforto e segurança presentes em carros top de linha como o controle de tração e estabilidade, frenagem com ABS, EBD e BAS, monitor da pressão dos pneus, abertura interna do porta-malas e do tanque e para quem têm crianças, dois engates Isofix. Destaco a precisa direção elétrica com endurecimento gradativo, freios a disco nas quatro rodas e o HSA, um assistente de saída em rampas que funciona com perfeição, não deixando o carro se mover até a tração ser acionada. Possui nesta versão luz diurna em led, câmera de ré, sensor de estacionamento e alarme. Falta um protetor de cárter para proteger o motor de pedras e lama.

Nos quatro dias de teste enfrentamos temperaturas ao amanhecer abaixo de 5ºC e mesmo abastecido com álcool ele pegou de primeira, sem um engasgo sequer. Nada do obsoleto tanquinho extra de gasolina pois ele utiliza um sistema que aquece o combustível antes de ser injetado. Pontos para a JAC.

Equipado com pneus GitiComfort 221 v1 205/55R15V em rodas de liga aro 16 e câmbio de seis marchas, ele roda macio e é econômico, o que ajuda na autonomia pois seu tanque é de apenas 45 litros. Fizemos a excelente média de 9,5 km/litro de etanol em um percurso misto de 380 km.

Interior - O painel é amplo, de plástico duro mas bem acabado, com detalhes em cinza claro que acompanham os puxadores das portas e o centro do volante. Este traz somente os controles do rádio e telefone, sem iluminação. Com bom espaço para cinco ocupantes, tem bancos de couro preto com costuras vermelhas, cintos de três pontos com apoio de cabeça para todos os passageiros e um porta malas de 600 litros.

É modesto com os porta objetos mas tem descansa braço dianteiro e porta óculos ao lado do motorista. Sua central multimídia é touch com tela de oito polegadas, espelhamento do celular desde que compatível e possui as entradas USB e hdmi. Saliento as palhetas flatblade, silenciosas e de máxima eficiência e o próprio para-brisa, com faixa degrade incorporando a antena do rádio impressa em filamentos. O ar condicionado é digital e bem dimensionado. Contudo seu display de cristal líquido com iluminação azul é pequeno e também traz a informação de temperatura externa, só que é difícil de ver, e caso o aparelho esteja desligado, você fica sem a informação. Uma solução seria transferir o controle do ar para a grande central multimídia e a temperatura externa junto ao display do computador de bordo, que apesar de ter ótimas e precisas funções, o comando de ajustes fica em uma haste no meio dos instrumentos, impossibilitando alterar os dados com segurança enquanto dirige.

O veículo foi cedido pela concessionária JAC Motors da Rua Gen. Mario Tourinho, 1.380, de Curitiba.

www.jacmotors.com.br

Publicado na edição 198 - junho/2016