Tendências para o dólar em 2013

Rafael Henrique Rosa, Encarregado de Importação na Infraero (Aeroporto Internacional Afonso Pena), formado em Administração Internacional de Negócios pela UFPR, Pós-graduando em Negócios Internacionais pela FAE

Se você está pensando em viajar para fora do país em 2013 deve estar se perguntando qual vai ser a cotação do dólar e como economizar nas compras no Exterior. As oscilações da moeda americana não afetam somente o planejamento das empresas, que exportam ou dependem de insumos importados, mas tem impacto direto no orçamento da sua viagem.  

O Brasil adota o sistema de Câmbio Flutuante. Em tese, nesse sistema não há controle do governo sobre a compra e venda de moeda estrangeira. Na prática, é quase impossível o sucesso da economia sem a devida atenção à política cambial. Contudo a tarefa de prever o comportamento do dólar é muito complexa, não dependendo apenas das ferramentas de controle utilizadas, mas sim de toda conjuntura internacional.  

Apesar de toda essa complexidade parece existir um consenso sobre o patamar ideal da moeda americana frente ao real, esse deve ser suficientemente alto para estimular a competitividade da indústria brasileira (nas prateleiras do mercado interno e externo) e não pode encarecer o custo de produção, o que traria impactos negativos como o aumento da inflação.  

A previsão mais aceita indica que o dólar acima de R$ 2,00 veio para ficar em 2013, não devendo haver regressão para os valores encontrados no início de 2012 (na faixa de R$ 1,70) e o mais provável, se mantidas as previsões macroeconômicas, é que o teto fique próximo a R$ 2,10.  

Essa faixa parece agradar o governo brasileiro que vinha atuando sucessivamente na desvalorização do real (aumento do dólar) até dezembro, quando parece ter encontrado o valor máximo ideal próximo a R$ 2,10. A partir daí puderam ser identificadas algumas intervenções no sentido de conter a alta da moeda americana: uma das principais foi a alteração do mecanismo de pagamento antecipado na exportação. Em dezembro o prazo para recebimento antecipado livre do IOF caiu pela metade (de 720 para 360 dias) - essa modalidade corresponde a 20% das exportações brasileiras e a alteração facilita a entrada de dólares no mercado nacional, pressionando a moeda para baixo. Essa cotação parece estar funcionando bem na prática, coincidentemente ou não, no mesmo mês as importações brasileiras diminuíram pela primeira vez em mais de dois anos, um indício de recuperação da indústria nacional.  

Mesmo com a alta do dólar as viagens ao Exterior, que até algum tempo eram privilégio de alguns, se tornaram mais comuns em 2012. Os brasileiros gastaram ano passado quase US$ 20 bilhões em compras fora do país. A título de comparação, esse valor está próximo do montante que o Brasil importou de todo o Mercosul no mesmo período.  

Além de ficar de olho na cotação, existem outras formas de economizar nas compras realizadas durante viagens ou mesmo pela internet em sites estrangeiros. Em abril de 2011 o IOF pago por compras no Exterior, utilizando o cartão de crédito, passou para 6,38%. Essa foi uma medida do governo para conter este tipo de gasto. O viajante faz a conversão do preço em dólar para reais, mas não faz a conta do IOF, que pode ser reduzido para 0,38% quando utilizado cartão pré-pago (Travel Money) ou cartão de débito. É um tipo de economia que não depende da complexidade do mercado cambial, mas exige planejamento, este com certeza fator positivo quando o assunto é gastar menos.

Publicado na edição 157 - janeiro/2013